terça-feira, 28 de julho de 2009

Luana

" Outro texto pedido pela minha professora de Português, acabo de perceber que os que menos odeio são pedidos por ela. Por que será?"



Tinha acabado de fugir do enterro dos meus pais. Não suportava ver aquilo. Era como se estivesse assistindo à confirmação da perda das únicas pessoas que amava.

Eu estava correndo pelo cemitério e todos esses pensamentos fizeram meus olhos lacrimejarem tornando difícil de enxergar. Continuei a correr mesmo sem conseguir ver direito e acabei caindo no que temi ser um túmulo. Tentei me levantar mas senti uma dor horrível, quebrei meu tornozelo. Comecei a gritar por ajuda, mas ninguém pareceu escutar, então decidi esperar até que me encontrassem.

Se passaram algumas horas e ninguém apareceu. Estava começando a escurecer e eu a me desesperar quando ouvi uma voz melodiosa, porém abrupta, a perguntar: "Quem está aí?". Gritei por socorro e pedi que ela jogasse uma corda ou qualquer coisa para me ajudar a sair mas ela disse que não podia e então ela apareceu na minha frente.

Ela era linda, tinha cabelos pretos que pareciam sobras do lado de seu rosto branco e cintilante como a luz da lua, capaz até de iluminar o fosso onde estávamos. Mas tinha algo de errado com ela, ela era transparente.

Senti um pouco de medo mas não demonstrei. Conversamos um pouco e percebi que ela era solitária e triste. Senti pena de sua alma condenada a existir sozinha e decidi ficar com ela para sempre. Os dias passaram, ninguém me encontrou e minha pena se transformou em amor e eu morri sem água e pude existir para sempre ao lado de Luana, a fantasma.

sábado, 25 de julho de 2009

Outro dia.

Andava sozinho pela praia de madrugada enquanto fumava seu cigarro. Sentou-se num ponto qualquer da praia, onde era recebido pela brisa marinha, e tragou monótonamente. Soltou a fumaça e fitou-a desvanecer no ar enquanto pensava no que acabara de acontecer. Pensava e repensava em como aquilo poderia ter acontecido. Ele tentava encontrar qualquer motivo que a levasse a traí-lo e isso o torturava.
O maço que a pouco tinha comprado estava vazio e ele cheio de tudo. Estava cansado do trabalho e de seu chefe, puto com a piranha da sua esposa e ainda mais puto com o cigarro vagabundo que queimou rápido demais. Ao longe ouviu uma música, ela vinha de um bar que tinha ali perto, o que o levou a imaginar-se bêbado nos braços de uma mulher qualquer no mesmo estado.
Assim comemoraría a prorrogação de sua vida, porém lembrou-se de que era terça e que no dia seguinte ainda teria de trabalhar. Não importava que, nesse momento, não quizesse mais viver. Quando a depressão passasse ele iria querer e precisaria de dinheiro para isso.
Decidiu que não estragaria sua vida mas se deixou ficar mais um pouco ali, aproveitando a solidão. E enquanto assistia quarta-feira acordar recolheu os cacos de sua alma e foi pra casa dormir, de onde expulsou sua mulher. O dia sería longo.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

João ama Maria

"Mais um da série "Péssimos poemas" novamente aí."

Ele se chamava João,
assim como tantos outros.
Ela se chamava Maria,
disso sabiam todos.

Ele a amava,
assim como tantos outros.
Ela sequer lhe gostava,
assim como todos.

Teve festa naquele fim de semana,
assim como em vários outros.
Maria foi convidada,
para alegria de todos.

João ficou sabendo,
assim como todos.
E assim mesmo convidou.
Para alegria de poucos.

A festa tinha comida, bebida e Maria,
constatou todos.
E João a vira
beijando outros.

-Ela é uma vadia.
triste afirmou
e consigo mesmo
ele concordou.

A bebida era servida
igual para todos.
Mas João a bebia
mais do que todos.

A visão era turva
e tudo era fosco.
E João cambaleava
com seu andar tosco.

No noticiário da manhã
falaram de João:
"Jovem é morto
bêbado como um porco."

Poema de: Edson.

sábado, 4 de julho de 2009

Visão de mim

"Isso foi pedido pela minha escola. Trabalho de português, ficou uma droga. Odeio todo e qualquer poema meu, mas está aí."

Eternamente com mais cinco quilos,
mesmo depois de perder sete.
Para uns alto demais
para outros baixo demais.

Também sou branco,
ou será índio?
Tem quem diga japonês,
mas prefiro preto.

Tenho quinze anos,
na escola.
Vinte e um
na internet.
E dezoito,
quando saio.

Sou culto,
lindo,
forte,
pegador...
e um ótimo mentiroso.

Sou agnóstico
por simples preguiça ideológica
e me auto-afirmo me ofendendo
na esperança de que me elogiem.