segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Guardar e Relembrar

Será impossível descrever essa sensação quando tudo estiver acabado,quando eu não mais puder ler suas poesias, quando eu não mais puder ouvi-lo dizer que fui sua inspiração, estarei ocupado demais chorando sozinho. Então, descreverei agora para que eu possa guardá-la e relembrá-la sempre.
É algo como estar seco após horas de tempestade, é como ter o que comer após anos à míngua, é como atravessar o Atlântico submerso na água e então, finalmente, poder respirar.
Mas, não irá saber disso tão cedo. Primeiro irei expor toda a surpresa e o encantamento de se ter todos os desejos realizados, de te ter, à estranhos e, então, quando tiver desistido de mim, te entregarei esse texto escrito em folha de caderno e lágrimas de encantamento.

"...não te assusta? Se quiser parar por aqui vou embora só, guardando os bons momentos."

Parem.

Por favor, parem. Parem de aparecer com esses olhares, essas palavras. Não sei lidar com nada disso, não sei quando devo tocar ou ser tocado, não sei quando devo me abster de tudo e isolar-me e sei, muito menos, quando devo tentar dizer algo como o que dizem naturalmente à mim. Só sei que não sei nada de nenhum de vocês então, parem.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Durante o silêncio.

Os dois sofriam, mas por diferentes motivos. De um lado havia a decepção e a sensação de que falhara em algo que nunca deveria ter falhado. Do outro lada era um pouco mais complicado. Havia algo como vergonha, mas ele não podia aceitá-la e se contentava em contê-la. Com toda certeza havia, também, tristeza, pois o outro lado era incapaz de aceitá-lo. Os dois lados se mantinham estáticos, sem coragem de fitar os olhos um do outro, incapázes, também, de sair do quarto. Mas, o fizeram. Afinal o tempo, além de valioso, é indiferente ao sofrimento que era só deles.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Minha opinião da tragédia.

Como pode se preocupar com um mísero terremoto no distante Haiti? Como pode estar pensando na droga de milhões de pessoas mortas em outro país? Será que não me vê fingir estar bem para que assim possa me rotular de mártir e sei lá... Como posso vomitar um lixo desses. Talvez devesse doar dinheiro para os pobres haitianos. É, vou sim. Vou sim mas, hoje não. E você, fica longe.

História de um retardado.

Um garoto retardado resolveu usar uma discussão com o pai para desabafar, afinal era orgulhoso demais para deixá-lo saber que fazê-lo era o que mais desejava. Contou-lhe tudo: que fumava, que bebia e que estava namorando. Mas, não uma garota e sim um cara.
Até aí tudo bem. O pai o ajudou a contar para a mãe,que teve como primeira ideia levá-lo ao psicólogo. Eles acabaram fazendo terapia em grupo e ouvindo da psicóloga tudo o que o garoto já sabia, ou deveria saber: ele era normal, mas seus pais "podem estar tendo dificuldades em se adaptar com isso tudo".
Agora o pai reza toda vez antes que seu pequeno reatardado saia para que ele não beba, fume, use outras drogas ou, pior, arranje um novo namorado. Além disso, o retardado tem de escutar que quando resolve pintar o cabelo está expondo sua família ao ridículo. Mas, seu pai não sente vergonha, não mesmo.
Hoje ele pensa em como teria sido se mantivesse sua ideia inicial: sair de casa sem nunca contar nada e sumir no mundo sem deixar rastros. Mas não se arrepende, não mesmo. E metade da ideia ainda está de pé.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Sumiu.

Sumiu! Sumiu, sumiu e sumiu. Tenho certeza que ia escrever algo mas... Provavelmente nada demais e nem tão bom mas, ia. Eu ia... Não, eu vou. Pode ser que demore mas... Que se foda! Quem eu quero enganar? Sumiu e ponto.

Caso Perdido por Desistência.

Tenho andado muito calado e irritadiço. Posso escolher vários motivos para isso: esse calor infernal, abstinência forçada de vários vícios, ausência de alguém... Mas nenhum desses parece ser o real motivo.
De uns dias para cá me pego chorando porque meu cão se machucou ou o preço dos bombons aumentou mas, o que mais me aterrorizou nisso tudo: não sei o que me levou à ficar assim.
Me tornei um velho ranzinza aos dezesseis anos que se tranca no quarto, pois não suporta o barulho das pessoas e, muito menos, as pessoas, fecha a cortina pois não suporta o sol e, pra não morrer de calor, deixa o ventilador ligado o dia inteiro.
Olho para trás e fico perdido tentando lembrar de quando me tornei "isso", e, só então, percebo que sempre fui assim. Isso me destrói mas, percebi também que sempre serei assim. Sou desse jeito por que sempre fui, tentar mudar só pioraria tudo pois, se não conseguir, não haverá porque continuar.
Aos poucos pioro por estar assustado e fraco demais para tentar curar-me, arriscando assim me entregar de vez. Mas, o que poderia fazer? Além, é claro, do que sei que poderia?