Embebido em toda sua antipatia,
apático à tudo
e com ar de melancolia
passa seus dias
Com perceptível tédio me traga
e como tendo repulsa expulsa-me
em um leve sopro
Alívio
mas logo
desespero
Percebe-se então ilhado
no cume de toda sua antipatia
isolado, arrasado e mal tratado
reencontra simpatia
Pseudoblog com alguns escritos, a maioria sem nexo algum. Apenas vontade de mostrar de modo quase anônimo o que escrevo.
terça-feira, 2 de março de 2010
Girassóis
Deveria ser fácil perceber que iria embora, ao menos se eu prestasse atenção. Isso seria óbvio para mim toda vez em que, gentilmente, não dizia me amar. Mas, ainda assim, eu seria incapaz de evitá-lo. Se até os girassóis na nossa janela te seguiam, que chances teria eu?
Acho que nunca ouve tantas luas cheias num mês, as noites eram sempre a continuação do dia. Acho também que nunca ninguém ficou tão desolado em deixar uma casa como eu. Ah! Nossa casa. Nunca mais ela foi a mesma depois que a abandonamos. Não há mais aquele cheiro de lavanda, esse foi trocado pelo ar fúnebre dos cravos, que se instalaram ali vindos de não sei onde, e sua confortável meia-luz se parece agora com simples trevas. Mas os girassóis ainda estão lá, inanimados. Fitando a porta por onde você costumava entrar, junto à luz.
Mas, sabe, eu ainda guardo a felicidade desses tempos e, até mesmo a visto. Como quando, numa tarde fria e nublada, observei gotas de orvalho em minha laranjeira enquanto usava o casaco que um dia me emprestou e eu nunca devolvi.
Acho que nunca ouve tantas luas cheias num mês, as noites eram sempre a continuação do dia. Acho também que nunca ninguém ficou tão desolado em deixar uma casa como eu. Ah! Nossa casa. Nunca mais ela foi a mesma depois que a abandonamos. Não há mais aquele cheiro de lavanda, esse foi trocado pelo ar fúnebre dos cravos, que se instalaram ali vindos de não sei onde, e sua confortável meia-luz se parece agora com simples trevas. Mas os girassóis ainda estão lá, inanimados. Fitando a porta por onde você costumava entrar, junto à luz.
Mas, sabe, eu ainda guardo a felicidade desses tempos e, até mesmo a visto. Como quando, numa tarde fria e nublada, observei gotas de orvalho em minha laranjeira enquanto usava o casaco que um dia me emprestou e eu nunca devolvi.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Guardar e Relembrar
Será impossível descrever essa sensação quando tudo estiver acabado,quando eu não mais puder ler suas poesias, quando eu não mais puder ouvi-lo dizer que fui sua inspiração, estarei ocupado demais chorando sozinho. Então, descreverei agora para que eu possa guardá-la e relembrá-la sempre.
É algo como estar seco após horas de tempestade, é como ter o que comer após anos à míngua, é como atravessar o Atlântico submerso na água e então, finalmente, poder respirar.
Mas, não irá saber disso tão cedo. Primeiro irei expor toda a surpresa e o encantamento de se ter todos os desejos realizados, de te ter, à estranhos e, então, quando tiver desistido de mim, te entregarei esse texto escrito em folha de caderno e lágrimas de encantamento.
"...não te assusta? Se quiser parar por aqui vou embora só, guardando os bons momentos."
É algo como estar seco após horas de tempestade, é como ter o que comer após anos à míngua, é como atravessar o Atlântico submerso na água e então, finalmente, poder respirar.
Mas, não irá saber disso tão cedo. Primeiro irei expor toda a surpresa e o encantamento de se ter todos os desejos realizados, de te ter, à estranhos e, então, quando tiver desistido de mim, te entregarei esse texto escrito em folha de caderno e lágrimas de encantamento.
"...não te assusta? Se quiser parar por aqui vou embora só, guardando os bons momentos."
Parem.
Por favor, parem. Parem de aparecer com esses olhares, essas palavras. Não sei lidar com nada disso, não sei quando devo tocar ou ser tocado, não sei quando devo me abster de tudo e isolar-me e sei, muito menos, quando devo tentar dizer algo como o que dizem naturalmente à mim. Só sei que não sei nada de nenhum de vocês então, parem.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Durante o silêncio.
Os dois sofriam, mas por diferentes motivos. De um lado havia a decepção e a sensação de que falhara em algo que nunca deveria ter falhado. Do outro lada era um pouco mais complicado. Havia algo como vergonha, mas ele não podia aceitá-la e se contentava em contê-la. Com toda certeza havia, também, tristeza, pois o outro lado era incapaz de aceitá-lo. Os dois lados se mantinham estáticos, sem coragem de fitar os olhos um do outro, incapázes, também, de sair do quarto. Mas, o fizeram. Afinal o tempo, além de valioso, é indiferente ao sofrimento que era só deles.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Minha opinião da tragédia.
Como pode se preocupar com um mísero terremoto no distante Haiti? Como pode estar pensando na droga de milhões de pessoas mortas em outro país? Será que não me vê fingir estar bem para que assim possa me rotular de mártir e sei lá... Como posso vomitar um lixo desses. Talvez devesse doar dinheiro para os pobres haitianos. É, vou sim. Vou sim mas, hoje não. E você, fica longe.
História de um retardado.
Um garoto retardado resolveu usar uma discussão com o pai para desabafar, afinal era orgulhoso demais para deixá-lo saber que fazê-lo era o que mais desejava. Contou-lhe tudo: que fumava, que bebia e que estava namorando. Mas, não uma garota e sim um cara.
Até aí tudo bem. O pai o ajudou a contar para a mãe,que teve como primeira ideia levá-lo ao psicólogo. Eles acabaram fazendo terapia em grupo e ouvindo da psicóloga tudo o que o garoto já sabia, ou deveria saber: ele era normal, mas seus pais "podem estar tendo dificuldades em se adaptar com isso tudo".
Agora o pai reza toda vez antes que seu pequeno reatardado saia para que ele não beba, fume, use outras drogas ou, pior, arranje um novo namorado. Além disso, o retardado tem de escutar que quando resolve pintar o cabelo está expondo sua família ao ridículo. Mas, seu pai não sente vergonha, não mesmo.
Hoje ele pensa em como teria sido se mantivesse sua ideia inicial: sair de casa sem nunca contar nada e sumir no mundo sem deixar rastros. Mas não se arrepende, não mesmo. E metade da ideia ainda está de pé.
Até aí tudo bem. O pai o ajudou a contar para a mãe,que teve como primeira ideia levá-lo ao psicólogo. Eles acabaram fazendo terapia em grupo e ouvindo da psicóloga tudo o que o garoto já sabia, ou deveria saber: ele era normal, mas seus pais "podem estar tendo dificuldades em se adaptar com isso tudo".
Agora o pai reza toda vez antes que seu pequeno reatardado saia para que ele não beba, fume, use outras drogas ou, pior, arranje um novo namorado. Além disso, o retardado tem de escutar que quando resolve pintar o cabelo está expondo sua família ao ridículo. Mas, seu pai não sente vergonha, não mesmo.
Hoje ele pensa em como teria sido se mantivesse sua ideia inicial: sair de casa sem nunca contar nada e sumir no mundo sem deixar rastros. Mas não se arrepende, não mesmo. E metade da ideia ainda está de pé.
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