A porta do bar era suja, sombria e pouco convidativa, entretanto encontrava-me em um estado de espírito estranho o suficiente para que somente o sujo, o sombrio e o pouco convidativo me atraísse. Entrei e senti que todos me fitavam pelo canto dos olhos ao mesmo tempo que comentavam entre si por sussurros sobre mim. Mas este é um desses fatos que nossos sentidos normais não alcançam, desses que apreendemos pela espinha, que esfria, e analisamos com a garganta, que se fecha.
Sentei-me num banco que era também sujo e sombrio, como tudo e todos lá. Na minha frente estava o garçom, que fingia me ignorar, fiz movimentos estúpidos e desconcertantes com meus braços numa tentativa inútil de chamar-lhe a atenção, como pareceu não funcionar bati de forma rude e eficaz no mármore engordurado que nos separava. Novamente minha espinha gelava e minha garganta se trancava. Pensei em pedir-lhe cerveja, mas essa é uma bebida que tomamos acompanhados, não cabia naquela situação. Pedi Vodca.
Percebi que em momento algum procurei por ele, aquele a quem vim ver com toda a coragem que pude converter em ação. Instintivamente eu sabia que ele não estaria lá, foi também por instinto que eu sabia que ele nunca saberia que eu me atrasei mais de quarenta minutos. Marcamos às seis, já eram mais de sete horas. Aos poucos o desespero esvaziava os copos à minha frente, ao menos parecia ser aos poucos pra mim, que já estava tonto.
Enquanto o relógio tique-taqueava para zombar-me, a voz de meu pai, muito mais grave que de costume, ecoava em meus ouvidos uma mensagem que era tão grave quanto a voz. Ele me avisava do atraso, e me falava de seus significados ocultos: a negligência e o desprezo. Todo atraso, segundo ele, se baseava nessas duas palavras. O pior era que nessa regra eu era exceção. Seu atraso me desprezava e naturalmente me esquecia, como se esquece momentos traumáticos, me qualificando como erro, memoria reprimida. Era um atraso cruel esse dele. O meu era pequeno e tímido. Tentava apenas proteger-me dele, assim como meu pai tentou.
Já passava das oito. Ele nunca havia se atrasado tanto. Era um recorde, constatei em alto e bom som sob o efeito dos copos vazios e incriminantes. Com isso fiz rir uma mulher, que provavelmente esteve ao meu lado todo o tempo sem que eu me desse conta. Olhou-me submissa e lasciva pelo que me pareceu séculos e perguntou meu nome. Irresistível. Não lembro o que respondi mas não foi um nome, já não tinha um. Mas antes de sumir dei a ela tudo o que sobrou de mim: sêmen e lágrima
Pseudoblog com alguns escritos, a maioria sem nexo algum. Apenas vontade de mostrar de modo quase anônimo o que escrevo.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Sobre a inutilidade perene.
A vida devia ser arte e nós devíamos viver como arte, belos. Cada pequeno átomo devia ter expresso em si um ideal de beleza e ser extremo em sua qualidade expressiva. Mas, a beleza nos escapa. Já que essa nos escapa, cada pequeno ato devia ter significado e, sendo assim, cada momento sofrido devia ser recompensado. Mas, nada é como devia ser. O real é imenso e supremo e sufoca o ideal que é pura e simplesmente ideal e, como tal, existe somente nas ideias e em nenhum outro lugar.
Hoje eu acordei pensando e que tormento é ser pensante. Sendo pensante eu descobri os defeitos mais desconcertantes. Descobri o niilismo, o ateísmo e a solidão, pouco depois descobri a depressão e logo me descobri inútil. Levantei, respirei fundo e mergulhei fundo na profunda inutilidade universal. Tudo é inútil, tudo sempre foi inútil e tudo sempre será. Mas não pode ser, não pode; pensei.
Ao pensar isso me vi emergindo de volta a superfície do mar de inutilidade, onde ainda há esperança, onde ainda há a crença num significado maior, um significado escondido, mas um significado mesmo assim. Mas será a esperança que só existe na superfície, a esperança superficial, suficiente? Esperança essa que é sinônimo de expectativa de algo que pode existir ou não.
Quando já não posso mais esperar submerjo e me afogo tragando em grandes goles a inutilidade que me cerca. Inutilidade essa que é desoladora, assim como a expectativa travestida de esperança, mas é verdadeira.
Talvez, só talvez, afogar-se seja arte. Talvez haja beleza nessa tristeza que vem da inutilidade perene. E se a vida é privada de sentido, que seja ao menos grande e bela.
Hoje eu acordei pensando e que tormento é ser pensante. Sendo pensante eu descobri os defeitos mais desconcertantes. Descobri o niilismo, o ateísmo e a solidão, pouco depois descobri a depressão e logo me descobri inútil. Levantei, respirei fundo e mergulhei fundo na profunda inutilidade universal. Tudo é inútil, tudo sempre foi inútil e tudo sempre será. Mas não pode ser, não pode; pensei.
Ao pensar isso me vi emergindo de volta a superfície do mar de inutilidade, onde ainda há esperança, onde ainda há a crença num significado maior, um significado escondido, mas um significado mesmo assim. Mas será a esperança que só existe na superfície, a esperança superficial, suficiente? Esperança essa que é sinônimo de expectativa de algo que pode existir ou não.
Quando já não posso mais esperar submerjo e me afogo tragando em grandes goles a inutilidade que me cerca. Inutilidade essa que é desoladora, assim como a expectativa travestida de esperança, mas é verdadeira.
Talvez, só talvez, afogar-se seja arte. Talvez haja beleza nessa tristeza que vem da inutilidade perene. E se a vida é privada de sentido, que seja ao menos grande e bela.
domingo, 9 de outubro de 2011
O Dilúvio.
- O Trampolim,
a Gravidade
e a Água,
que me recebeu com felicidade.
- Você não fala nada que faça sentido - ele disse, ou perguntou...
- Você,
a Insanidade (paixão?)
e toda essa depressão -
Expliquei - que me rouba a vivacidade.
Ele, ainda assim, não entendia nada do que eu falava.
- Sua volubilidade.
Não! Sua antipatia.
Não!Sua apatia.
"Só" como em solitário.
a Gravidade
e a Água,
que me recebeu com felicidade.
- Você não fala nada que faça sentido - ele disse, ou perguntou...
- Você,
a Insanidade (paixão?)
e toda essa depressão -
Expliquei - que me rouba a vivacidade.
Ele, ainda assim, não entendia nada do que eu falava.
- Sua volubilidade.
Não! Sua antipatia.
Não!Sua apatia.
* * *
Li no jornal sobre minha terra.
Lá chove dia e noite.
Sem descanso,
sem pausa.
Desgraça!
Há quem considere a chuva divino presente.
Heresia! Eu diria,
se fosse mais crente.
E se ao menos eu fosse.
Eu só vejo extinção,
o apocalipse em ação.
O mundo inteiro virando um só oceano
que acabará por exterminar
essa humanidade,
essa espécie má.
Destruirá ela inteira!
Que é na verdade um homem só,
"Só" como em solitário.
* * *
E toda essa audácia?
Como pôde dizer que aí chove?
Dia e noite,
cada noite e cada dia...
Mentira!
Na sua terra só há garoa.
Eu a vi naquela noite
pela janela, pelo seu olho.
Eu em seu colo,
você ofegante
e a garoa travestida de dilúvio.
Mentira!
Na sua terra só há garoa.
Eu a vi naquela noite
pela janela, pelo seu olho.
Eu em seu colo,
você ofegante
e a garoa travestida de dilúvio.
* * *
Meus pais,
seres corajosos,
donos de grandes atos.
Eles escalam torres
todas as noites,
torres mortais como um penhasco
e escuras como meu quarto.
Ontem mesmo escalaram,
me encontraram,
me olharam e examinaram.
Ai! Aqueles olhos preocupados.
Eu os vi engolirem o silêncio,
que era um pacto nosso,
e o constrangimento estampado
naqueles rostos
e enfim perguntaram:
- Filho, o que acontece?
O que te deixa assim tão melancólico.
- Eu que vivia na garoa
de olhos fechados,
os abri e corri pro lado errado.
Fui pra terra do dilúvio
e lá nasci
e lá fui criado.
Agora me afogo em tormento e
engasgo com incerteza.
- Isso passa.- disseram.
Retornando a aspereza.
* * *
- Amor.
- Sim?
- Me mata?
- Tá.
Me afogou na banheira
e foi para a cozinha.
Tomou o gole que restou
do Meu café na Minha caneca.
Enquanto isso eu descia pelo ralo,
como um inseto esmagado,
superado.
domingo, 18 de setembro de 2011
O que sou
Sou grande, uma grande pessoa. Não! Estou, estou uma grande pessoa... Grande coisa! Estou uma grande coisa. Um amontoado de não-saber e mágoa. Um amontoado grande demais para caber dentro dos limites de minha pele, pele esta que tornou-se tão fina que sou capaz de enxergar através dela o caos gasoso que tenho dentro de mim. Gasoso sim. Tudo que tenho dentro de mim é gasoso, indeterminado e inútil. Somente quando não me mantenho equilibrado e saudável que parte de mim condensa e transborda como lágrima. Ontem mesmo transbordei no ônibus e o passageiro sentado ao meu lado virou-se e fingiu não ver. Muito educado da parte dele, muito educado. Ainda assim fiz sinal e desci.
domingo, 28 de agosto de 2011
O amor tem pressa
Achei isso na revista O Globo de hoje. Não faço ideia de quem seja a mulher que escreveu, mas ela sabe o que fala. Ao menos pareceu pra mim.
Para Chico Buarque
"Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar"
"O amor não tem pressa"? "Ele pode esperar"?
Desculpe-me, Chico, mas desconheço o amor que pode esperar.
O amor, quando é pra valer, é sinfônico, urgente, latente.
Pede pela pele do outro. Pede pelo veludo da voz e pela maciez do sorriso. Pede pelo gozo, pelo gole partilhado na bebida, pela brincadeira noturna sob os lençóis e até mesmo pelo silêncio de depois. Pede por palavras escolhidas cuidadosamente que salientem o indizível.
O amor é valsa, baião de dois, salsa, molho, tempero, batucada, estrada.
Quem ama não espera! Muito menos em silêncio! Sofre e reclama quando o ser amado não está ao alcance das mãos.
Quando o amor acontece, ele é pra já, sim, senhor. Ele não cabe num fundo de armário, na posta-restante, num poema rabiscado ou num retrato rasgado.
Quem ama tem fome. Quem ama tem sede. Quem ama dá vexame, faz a fama e deita na cama.
Quem ama escreve cartas ridículas.
O amor que espera, desconheço. Quem sabe não se trata de um mero adereço da resignação? Pluma que enfeita a fé de quem perdeu o bem amado? Pluma leve, que como a ilusão pode ser lançada ao longe com um simples sopro de realidade e se perder no ar...
O amor não tem remédio, nem nunca terá, não tem juízo, nem nunca terá, não tem medida, nem nunca terá... Mas não, Chico, ele não pode esperar.
Para Chico Buarque
"Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar"
"O amor não tem pressa"? "Ele pode esperar"?
Desculpe-me, Chico, mas desconheço o amor que pode esperar.
O amor, quando é pra valer, é sinfônico, urgente, latente.
Pede pela pele do outro. Pede pelo veludo da voz e pela maciez do sorriso. Pede pelo gozo, pelo gole partilhado na bebida, pela brincadeira noturna sob os lençóis e até mesmo pelo silêncio de depois. Pede por palavras escolhidas cuidadosamente que salientem o indizível.
O amor é valsa, baião de dois, salsa, molho, tempero, batucada, estrada.
Quem ama não espera! Muito menos em silêncio! Sofre e reclama quando o ser amado não está ao alcance das mãos.
Quando o amor acontece, ele é pra já, sim, senhor. Ele não cabe num fundo de armário, na posta-restante, num poema rabiscado ou num retrato rasgado.
Quem ama tem fome. Quem ama tem sede. Quem ama dá vexame, faz a fama e deita na cama.
Quem ama escreve cartas ridículas.
O amor que espera, desconheço. Quem sabe não se trata de um mero adereço da resignação? Pluma que enfeita a fé de quem perdeu o bem amado? Pluma leve, que como a ilusão pode ser lançada ao longe com um simples sopro de realidade e se perder no ar...
O amor não tem remédio, nem nunca terá, não tem juízo, nem nunca terá, não tem medida, nem nunca terá... Mas não, Chico, ele não pode esperar.
Mônica Montone
domingo, 21 de agosto de 2011
Catarse
O que sobe tem de descer. Eles sabiamente disseram, mas esqueceram de avisar que eu devia proteger-me da queda do que quer que eu tenha jogado. Estou preso à uma espécie de devir. Nesse momento quase acredito numa Divina Providência que, após séculos de inércia, decidiu fazer-me pagar pelos meus erros. Eu que achei que já havia aprendido como aproximar-me sexual e afetuosamente das pessoas sem me tornar um escravo me surpreendo contando as tristezas de minha vida, tão preso a todos esses acontecimentos, para todos os que se dispõem a ouvir, e também para aqueles que não. Me surpreendo também chorando na frente de dezenas de estranhos dentro do ônibus lotado. É o devir, a maldição que me faz passar por tudo o que já passei desde a primeira vez que amei alguém. É a queda do que quer que eu tenha jogado, ele ser o motivo de eu tanto chorar quando, na verdade, achava que ele fosse ser mais um dos que comi e depois tive de bloquear para evitar o constrangimento.
É difícil me controlar e não ler e reescrever tudo o que já escrevi, mas eu me seguro. Esse tem de ser um texto de escrita automática. Sabe? Fazer como Breton(Brèton, Bretón?). Fazer como na psicografia. Acontece que busco uma catarse, busco uma iluminação! E acredito que esse tipo de coisa venha de dentro e nada melhor parar tirar de dentro de mim algo do que um fluxo irreprimido de ideias e fatos e lembranças e ... Mentira! Busco uma droga. Dessa vez não pra mim. Dessa vez quero uma droga poderosa que eu possa por na bebida dele e fazê-lo me amar como o amo, ou então morrer. O que for mais fácil. Dessa forma ele não comeria e, principalmente,não daria para mais ninguém. Mas acontece que alguém na minha mente, meu superego? reprova essas atitudes e me diz que não tenho esse direito. Fiquei com a catarse, a promessa de superação.
Chamei-o para sair, mas ele tinha outros planos e isso já era o suficiente para destruir minha noite de sono mas isso era pouco, ele ainda tinha de me contar o que lá pretendia fazer. Perguntou-me o que de melhor tem num casamento. Champagne, pensei. E torci para que ele respondesse bem-casados, mas ele disse Damas de Honra. Um tanto pedófilo, pensei. Mas logo a imagem de uma menininha carregando flores e vestindo um inocente vestido branco de mangas bufantes foi eclipsado pela imagem de uma adolescente de cabelos oxigenados e tomara-que-caia-já-caiu. Nada contra esse tipo de roupa, nas garotas que estão dando em cima de mim, não dele.
Engraçado como associamos as coisas na nossa cabeça. A loira com quem ele transava em algum lugar terrível, porém bem iluminado, de minha consciência era a mesma com quem eu transei numa noite turva e tediosa que tentei esquecer. Talvez eu use nela o mesmo veneno que usarei nele. Não gosto da ideia de ter de me lembrar dela toda vez que me sentir traído. E, por falar em traição, eu acabei de trair os movimentos dadaísta e surrealista [talvez tenha traído vários outros(talvez simplesmente envergonhe todo o mundo alfabetizado com tudo o que escrevo)]. Voltei e li e corrigi tudo o que escrevi, mas, ao menos, fui capaz e tive a decência de manter tudo, toda a verdade. Verdade. Verdade é só mais uma palavra aqui escrita. Era para ser algo muito mais glorioso e mágico, mas não o é. Não é nada além de passatempo e crueldade e a prova disso são as marcas de minhas unhas em minhas costas, unhas essas que terei de voltar a cortar no sabugo toda semana, marcas essas que apareceram pouco depois de ele me contar que lá ficou com sei lá quantos e quantas. Talvez seja mentira dele, talvez ele só seja muito mais cruel do que eu imagino. Só sei que tive de fingir que o que ele me contava era a coisa mais natural que poderia me contar, afinal ele desconhece as alianças tatuadas em nossos dedos anelares.
Ainda quero a catarse que a verdade me prometeu. Piranha mentirosa! Acho que deveria ter escrito um pouco mais sobre ele se pretendo superá-lo. Bom, fica pra próxima. São 2:18 da manhã, quem sabe se ele está online? Está, mas não veio falar comigo, não irei falar com ele. Postarei isso no meu blog e esperarei pacientemente por ele e pelo sono e, o que vier primeiro, me terá.
É difícil me controlar e não ler e reescrever tudo o que já escrevi, mas eu me seguro. Esse tem de ser um texto de escrita automática. Sabe? Fazer como Breton(Brèton, Bretón?). Fazer como na psicografia. Acontece que busco uma catarse, busco uma iluminação! E acredito que esse tipo de coisa venha de dentro e nada melhor parar tirar de dentro de mim algo do que um fluxo irreprimido de ideias e fatos e lembranças e ... Mentira! Busco uma droga. Dessa vez não pra mim. Dessa vez quero uma droga poderosa que eu possa por na bebida dele e fazê-lo me amar como o amo, ou então morrer. O que for mais fácil. Dessa forma ele não comeria e, principalmente,não daria para mais ninguém. Mas acontece que alguém na minha mente, meu superego? reprova essas atitudes e me diz que não tenho esse direito. Fiquei com a catarse, a promessa de superação.
Chamei-o para sair, mas ele tinha outros planos e isso já era o suficiente para destruir minha noite de sono mas isso era pouco, ele ainda tinha de me contar o que lá pretendia fazer. Perguntou-me o que de melhor tem num casamento. Champagne, pensei. E torci para que ele respondesse bem-casados, mas ele disse Damas de Honra. Um tanto pedófilo, pensei. Mas logo a imagem de uma menininha carregando flores e vestindo um inocente vestido branco de mangas bufantes foi eclipsado pela imagem de uma adolescente de cabelos oxigenados e tomara-que-caia-já-caiu. Nada contra esse tipo de roupa, nas garotas que estão dando em cima de mim, não dele.
Engraçado como associamos as coisas na nossa cabeça. A loira com quem ele transava em algum lugar terrível, porém bem iluminado, de minha consciência era a mesma com quem eu transei numa noite turva e tediosa que tentei esquecer. Talvez eu use nela o mesmo veneno que usarei nele. Não gosto da ideia de ter de me lembrar dela toda vez que me sentir traído. E, por falar em traição, eu acabei de trair os movimentos dadaísta e surrealista [talvez tenha traído vários outros(talvez simplesmente envergonhe todo o mundo alfabetizado com tudo o que escrevo)]. Voltei e li e corrigi tudo o que escrevi, mas, ao menos, fui capaz e tive a decência de manter tudo, toda a verdade. Verdade. Verdade é só mais uma palavra aqui escrita. Era para ser algo muito mais glorioso e mágico, mas não o é. Não é nada além de passatempo e crueldade e a prova disso são as marcas de minhas unhas em minhas costas, unhas essas que terei de voltar a cortar no sabugo toda semana, marcas essas que apareceram pouco depois de ele me contar que lá ficou com sei lá quantos e quantas. Talvez seja mentira dele, talvez ele só seja muito mais cruel do que eu imagino. Só sei que tive de fingir que o que ele me contava era a coisa mais natural que poderia me contar, afinal ele desconhece as alianças tatuadas em nossos dedos anelares.
Ainda quero a catarse que a verdade me prometeu. Piranha mentirosa! Acho que deveria ter escrito um pouco mais sobre ele se pretendo superá-lo. Bom, fica pra próxima. São 2:18 da manhã, quem sabe se ele está online? Está, mas não veio falar comigo, não irei falar com ele. Postarei isso no meu blog e esperarei pacientemente por ele e pelo sono e, o que vier primeiro, me terá.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
É Eterno Enquanto Dura.
Misturei carência, gentileza e aparência com vodka e o resultado foi algo parecido com paixão. Um longo beijo e o arrepio causado pelo encontro das pontas de nossos dedos com a pele nua embaixo de toda aquela roupa, que naquele momento, me parecia extremamente inconveniente, e logo caminhávamos de mãos dadas. Não fui capaz de compreender, não que isso fosse muito importante, como as pessoas não se desconcertavam com aquela demonstração tão aberta de afeto, mas esse pensamento se perdeu quase tão rápido quanto fumei meu cigarro ao perceber que isso o afastava e corri em direção ao choque dos lábios.
Fui para minha casa e, no banho, minha sobriedade, há pouco recuperada, me alertava quanto a falsa profundidade do amor recentemente achado após anos de fria apatia e solidão. Amor, amor, e por quê não?Eu dizia. Não, simplesmente não. Obviamente não. Isso é desespero.Eu disse e, para consolar-me, continuei: De qualquer maneira, se o conhecesse, eu nada quereria com ele. Mas o que fazer com a promessa do fim da apatia e da solidão?Indaguei. Ignorar. Respondi e fui dormir.
Acordei e minha visão de mundo estava tão pequena quanto sempre esteve e da experiência não tirei nenhum amadurecimento e nada eu tinha superado e em nenhum aspecto eu havia crescido. Esperança infundada e confusão evitável! Choraminguei e enquanto chorava o choro contido, desses que nos faz lacrimejar para dentro, me ridicularizei de forma violenta forçando-me a agir dignamente. Noite seguinte eu bebi e me apaixonei novamente, para, em casa, repreender a mim mesmo novamente enquanto chorava o choro contido dos frios e exilados.
Fui para minha casa e, no banho, minha sobriedade, há pouco recuperada, me alertava quanto a falsa profundidade do amor recentemente achado após anos de fria apatia e solidão. Amor, amor, e por quê não?Eu dizia. Não, simplesmente não. Obviamente não. Isso é desespero.Eu disse e, para consolar-me, continuei: De qualquer maneira, se o conhecesse, eu nada quereria com ele. Mas o que fazer com a promessa do fim da apatia e da solidão?Indaguei. Ignorar. Respondi e fui dormir.
Acordei e minha visão de mundo estava tão pequena quanto sempre esteve e da experiência não tirei nenhum amadurecimento e nada eu tinha superado e em nenhum aspecto eu havia crescido. Esperança infundada e confusão evitável! Choraminguei e enquanto chorava o choro contido, desses que nos faz lacrimejar para dentro, me ridicularizei de forma violenta forçando-me a agir dignamente. Noite seguinte eu bebi e me apaixonei novamente, para, em casa, repreender a mim mesmo novamente enquanto chorava o choro contido dos frios e exilados.
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